
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia das eleições de 2026 terminou com uma sensação curiosa: apesar de Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) estarem no centro da disputa, os dois se evitaram o quanto puderam. O programa promovido pela Band Bahia, realizado neste domingo (9), foi mais do mesmo. O encontro, previsto para ser o primeiro grande teste dos dois principais nomes da eleição, acabou com pouca capacidade de produzir novidades.
A escolha da data, feita pela Band nacional, também não ajudou. Colocar um evento desses em um domingo de Dia dos Pais, às 20h, significou disputar a atenção do público com uma das datas familiares mais movimentadas do calendário. Para a imprensa, o problema é semelhante. Domingo costuma ser dia de equipes reduzidas e plantões nas redações, o que diminui a capacidade de repercutir imediatamente as declarações, os ataques e eventuais gafes dos candidatos. Em uma eleição na qual o debate precisa virar assunto nas redes e nos sites para alcançar quem não assistiu ao vivo, isso pesa.
O momento de maior tensão veio quando Jerônimo reagiu a uma fala de Neto sobre o buraco na BR-324 e disse que o tratamento recebido poderia estar relacionado à sua origem. O governador afirmou: “Você me trata assim porque a minha origem é indígena, sou negro”. A declaração elevou o tom e rapidamente se tornou um dos principais assuntos da noite. Mas também foi o único grande momento do encontro...
Neto, por sua vez, voltou a apostar na segurança pública como seu principal campo de ataque. Ao questionar Jerônimo sobre o número de mortes violentas na Bahia, o ex-prefeito de Salvador apelou para o emocional: "O seu coração não dói?"
Quem tentou ocupar um espaço diferente foi Ronaldo Mansur. O candidato do PSOL tentou virar meme a qualquer custo e apostou em frases de efeito, com expressões como “Genocida, lá ele”, ao mencionar Jair Bolsonaro e Flávio, e “Bruno Reis tesoura”, ao criticar o prefeito de Salvador pela derrubada de árvores. Mas, de longe, o postulante ficou muito aquém do ótimo desempenho de Kléber Rosa nos debates de 2022.
Os assuntos também giraram majoritariamente em torno dos problemas de Salvador e do palanque presidencial no Estado. Temas sensíveis e de grande repercussão, como o Banco Master e a Operação Overclean, nem sequer foram mencionados. Não dá pra dizer se houve um vencedor. No fim, o principal resultado da noite talvez seja justamente a possibilidade de que este tenha sido o único debate relevante da eleição baiana.
O calendário prevê outro confronto, na TV Bahia, em 29 de setembro, já na reta final da campanha. E aí entra a estratégia eleitoral. Se um dos dois principais candidatos abrir vantagem suficiente nas pesquisas, pode ter pouco incentivo para se expor em um novo encontro televisivo. Quem estiver atrás terá interesse em comparecer. Quem estiver na frente, não necessariamente.
Assista abaixo ao debate da Band Bahia na íntegra:








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