.jpeg) |
| Foto: Juliano Sarraf |
Cerca
de 60 alunos dos 8º e 9º anos do Centro Educacional Darcy Ribeiro,
em Barra do Jacuípe, participaram na manhã desta terça-feira (4)
da primeira roda de conversa do projeto Novembro Negro “Aquilombando
Camaçari: Trajetória e (Re)existência”. A atividade da
Secretaria de Educação (Seduc) acontece por meio da Coordenação
de Educação Étnico-Racial, tendo por objetivo promover reflexões,
ações e práticas pedagógicas que valorizem a identidade negra no
combate ao racismo estrutural, ampliando o letramento racial na rede
municipal de ensino.
Segundo
Marta Mota, coordenadora de Educação Étnico-Racial da Seduc, o
projeto Novembro Negro foi pensado para promover a socialização das
produções relativas ao tema que acontecem no ambiente escolar.
“Sabemos que existem as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que
instituem a obrigatoriedade do estudo da história e cultura
afro-brasileira e indígena nas instituições de ensino. As escolas
já trabalharam essa temática durante o ano todo, por meio de
formações promovidas pela Seduc, de modo que nossos jovens precisam
ter acesso a conhecimentos que os empodere”, explicou a pedagoga e
professora da rede municipal.
O
diretor do Darcy Ribeiro, Rafael Teixeira, entende que a finalidade
do projeto Novembro Negro é empoderar. “Nossos alunos precisam
realmente entender o seu lugar na sociedade como pessoas negras e
assumir essa cultura, não ter vergonha de quem são”, enfatizou.
Estudantes
de 14 anos que cursam o 8º ano B no Darcy Ribeiro, Maria Alice
Soares e Bruna Carvalho acreditam que a roda de conversa temática
traz um assunto fundamental a ser pontuado na escola: o racismo.
“Todos os alunos devem ter consciência de que isso é errado e que
não deve acontecer, principalmente nas áreas escolares”, destacou
Alice.
Para
a colega Bruna, o problema ganha uma nova camada dentro do contexto
social no qual existem as redes sociais. “As pessoas são mais
focadas na rede social. Se, por exemplo, uma pessoa estiver sofrendo
racismo, a primeira atitude vai ser pegar o celular e gravar, invés
de se enxergar na pessoa e procurar defendê-la”, problematizou a
jovem.
Pablo
Marciel, estudante de 15 anos do 9º ano C, vê como fundamental as
atividades escolares sobre consciência negra. “Como esse racismo
estrutural está muito impregnado na nossa sociedade, muitas vezes
passa batido e muito facilmente é visto como ‘mimimi’. E isso me
deixa meio que triste, porque em determinadas situações eu vejo
coisas que acontecem comigo e eu penso: será que se eu fosse branco
isso aconteceria comigo?”, questionou o jovem.
Durante
o mês de novembro, as escolas municipais sediarão novos momentos de
diálogo entre educadores e estudantes. Nesta terça-feira, também
foi realizada uma roda de conversa na Escola Municipal Nilza Lemos
Pinheiro Lacerda, em Catu de Abrantes.
Novas
rodas de conversa acontecerão nos dias 7 e 11 de novembro. Pela
manhã, no dia 7, o encontro será no Centro Educacional Maria
Quitéria, e à tarde, na Escola Municipal Virgínia Reis Tude. Em 11
de novembro, a programação segue na Escola Municipal Amélia
Rodrigues, no turno matutino, e à tarde, no Centro Educacional Barra
do Pojuca.
A
programação traz ainda a mostra Novembro Negro, que acontecerá nos
dias 13 e 14 de novembro, na Cidade do Saber e no Colégio Estadual
de Vila de Abrantes, no Teatro Tupinambás. Serão divulgadas ações
e projetos desenvolvidos pelas unidades escolares, com apresentações
artísticas e culturais, além da participação de professores da
rede que integram o curso promovido pela Universidade da Integração
Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).
O
projeto também prevê a exibição de painéis da campanha visual
“Aquilombando Camaçari/Aquilombando Saberes”, dispostos na sede
e orla do município. Ficarão, respectivamente, na Praça João
Ramos Coroa, popularmente conhecida como Praça dos 46, e na entrada
de Arembepe, retratando personalidades negras de relevância
histórica em diversos campos do saber, com destaque para a educação.