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| Foto: Patrick Abreu |
O
empreendedorismo negro foi pauta do Seminário Ideia Preta,
iniciativa da Prefeitura de Camaçari que aconteceu nesta
quarta-feira (26), na Casa do Trabalho. A parceria entre a Secretaria
de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e o Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) viabilizou a realização
da atividade, que integra o projeto Acelera Camaçari – Hub de
Negócios, dentro da programação oficial da Semana Global do
Empreendedorismo 2025, em paralelo ao Novembro Negro, mês em que se
comemora o Dia da Consciência Negra no Brasil.
Destinado
a micro e pequenos empresários, Adriana Marcele, gestora da Sedec,
explicou que o evento teve como propósito criar um ambiente
colaborativo e de aprendizagem coletiva. “O afroempreendedorismo é
muito significativo na realidade de nossa cidade. A Sedec vem
valorizar esse empreendedor que, muitas vezes, passa por sérias
dificuldades e que precisa do apoio do poder público para alavancar
seus negócios”, contextualizou a secretária.
Segundo
Taiane Almeida, gestora do Sebrae Plural – Região Metropolitana de
Salvador, em pesquisa do órgão realizada em 2023, 79% dos
empresários baianos são negros, ou seja, pretos ou pardos. Além
disso, o levantamento indicou que o faturamento de pessoas brancas
que empreendem chega a ser até 35% maior do que o faturamento de
pessoas negras.
“A
partir da análise dos dados dessa pesquisa, ficou claro que os
desafios para empreender sendo pessoa preta, aqui na Bahia, são
maiores do que os desafios para empreender sendo pessoa branca. Então
nada mais justo do que a gente pensar em ações direcionadas para
esse público, para conseguir desenvolver esses negócios que são
liderados por pessoas negras”, reconheceu a executiva, destacando a
importância da parceria com a Sedec no desenvolvimento desse público
que constitui maioria no estado e em Camaçari.
O
Seminário Ideia Preta reuniu grandes nomes baianos com destacado
reconhecimento no empreendedorismo afro-brasileiro. A designer,
empreendedora e autodefinida “criativista” (ativista da
criatividade) Mel Campos declarou que o objetivo de sua participação
era fazer com que a tecnologia fosse percebida como facilitadora de
processos, como algo comum dentro da dinâmica da vida.
“Hoje
é mais um bate-papo, para que a gente consiga entender o papel da
tecnologia no nosso dia a dia, e que ela não é uma coisa abstrata
ou inacessível. Ela está ali como facilitadora das nossas jornadas.
É como a gente usa isso – olhando para a nossa tecnologia,
inclusive a ancestral, de onde a gente estabeleceu nossos
conhecimentos e como a gente usa essa tecnologia hoje, as tecnologias
atuais, a favor dessa construção. Algumas pessoas entendem a
tecnologia, sobretudo a inteligência artificial, como algo difícil,
exclusivo, e a gente quer fazer desse recurso algo mais inclusivo”,
disse a empresária, citando como exemplos de inteligências
artificiais plataformas como Deepseek, ChatGPT e Gemini, evidenciando
suas especificidades.
A
capacidade de comunicação e de expressão oral foi outro tópico
trabalhado pelo engenheiro e também empreendedor Tiago Santana. Para
ele, desenvolver habilidades comunicacionais é essencial no âmbito
do empreendedorismo. “Quando ele [o empreendedor] vai fazer
negócios, ele vai ter mais clareza, vai transmitir muito mais
confiança, mais certeza não só dele mesmo e das próprias
capacidades, mas daquilo que ele vende, daquilo que apresenta, ele
vai ter muito mais essência naquilo que ele carrega”, evidenciou.
Para
a designer de moda afro, Ednail Aleixo, os temas abordados no
seminário foram pertinentes à sua realidade enquanto empreendedora.
“A gente precisa ter mais um pouquinho de conhecimento sobre a
inteligência artificial, os grupos que a gente tem que se engajar
para poder fomentar mais o comércio da nossa cidade. Então são
temas que refletem o que a gente está vivendo no dia a dia, dentro
do nosso comércio”, observou.
Outra
para quem os temas trabalhados na atividade foram importantes foi a
microempreendedora individual (MEI) e trancista Diana Nascimento. “A
inteligência artificial está aí, uma ferramenta que muita gente
não consegue ainda manejar, e esse seminário trazendo esse assunto
é ouro em nossa mão. Poder aprender sobre comunicação e oratória,
porque tem gente que tem muita dificuldade de se comunicar, além de
trazer pessoas que vão falar sobre a sua história empreendedora, a
sua história preta, isso tudo é de muita importância pra gente”,
declarou a profissional.
Além
de Mel Campos e de Tiago Santana, o Seminário Ideia Preta levou para
a Casa do Trabalho a empresária e professora premiada Karine
Oliveira, CEO da Wakanda Educação, que teve seu nome na lista de
2020 da Forbes Under 30, que destacou empreendedores que
revolucionaram a forma de fazer negócios em suas áreas.