28/05/2026

Encontro Formativo fortalece educação antirracista e valorização das identidades na rede pública de ensino


A construção de uma educação mais inclusiva, representativa e comprometida com a equidade racial deu mais um importante passo no município nesta quinta-feira (28), com a realização do I Encontro Formativo ERER 2026, promovido pela Coordenação de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), da Secretaria de Educação de Camaçari (Seduc).

Com o tema “ODS 18 – Estratégias para uma educação antirracista em Camaçari”, o encontro reuniu profissionais da rede municipal em um momento de formação, escuta e fortalecimento de práticas pedagógicas voltadas ao reconhecimento das identidades, ancestralidades e saberes territoriais.

A programação contou com a palestra da professora doutora Letícia Pereira, pesquisadora do Observatório do ODS 18 e doutora em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de pesquisadora do Observatório ODS 18 da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

No período da manhã, participaram coordenadores pedagógicos da rede municipal e das instituições conveniadas. Já no turno da tarde, a formação é direcionada à equipe técnica da Seduc, incluindo técnicos, coordenadores e demais funcionários.

O objetivo do encontro é promover a articulação estratégica entre a política municipal de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) e as metas do ODS 18, fortalecendo a formação continuada de educadores, gestores, técnicos pedagógicos e profissionais não docentes para a implementação de práticas pedagógicas antirracistas, decoloniais e referenciadas nos saberes ancestrais e territoriais.

A diretora Pedagógica da Seduc, Alexandra Pereira, destacou que a ação integra um conjunto de iniciativas contínuas da gestão municipal voltadas à valorização da identidade dos estudantes e ao fortalecimento das práticas desenvolvidas dentro das unidades escolares.

“O protagonismo das nossas escolas com os nossos estudantes, o trabalho que cada professor, cada coordenador, cada gestor tem feito dentro das unidades escolares nos dá esperança e certeza de que estamos no caminho certo”, afirmou.

A palestrante Letícia Pereira reforçou a importância do debate sobre o ODS 18, Objetivo de Desenvolvimento Sustentável proposto pelo Brasil para a Agenda 2030 da ONU, cujo foco principal é a promoção da igualdade étnico-racial, com o objetivo de eliminar o racismo, a xenofobia e todas as formas de discriminação contra povos indígenas e afrodescendentes.

“Debater o ODS 18 é importante para a consolidação desse objetivo no Brasil, porque é uma luta necessária para que a gente consiga mudar estruturas e formalizar políticas públicas eficazes. Esse encontro vai resultar em articulação para que Camaçari consiga vestir a camisa do ODS 18 e implementá-lo em suas ações, nas escolas, nas direções, dentro do ambiente escolar, mas também na estrutura da cidade”, destacou.

Entre as participantes do encontro, a coordenadora da Escola Municipal Amélia Rodrigues, Vanessa Gonçalves Santos Campos, ressaltou a relevância da formação para o fortalecimento da educação voltada à ancestralidade e ao pertencimento. “É de grande importância e relevância para que nossos alunos aprofundem cada vez mais o conhecimento sobre nossa ancestralidade, nossa vivência e quem nos trouxe até aqui. Precisamos resgatar isso e apresentar de forma simples e prazerosa para nossas crianças esse conhecimento”, afirmou.

O encontro também contou com um momento cultural protagonizado pelos estudantes da Creche Carmem Mirim, que apresentaram o espetáculo “Eu África”, fruto do trabalho desenvolvido na unidade.

A coordenadora da creche, Marli Pita, destacou que a apresentação foi construída como parte do trabalho pedagógico realizado com as crianças. “Fomos convidados para apresentar aos coordenadores do município sugestões de práticas que podem ser desenvolvidas com crianças de zero a cinco anos. Este evento é importante porque precisamos falar constantemente sobre as relações étnico-raciais, para que as crianças se reconheçam. Isso melhora a autoestima, fortalece a identidade e contribui para o combate ao racismo dentro do ambiente escolar”, pontuou.

A realização do encontro reafirma a preocupação da gestão municipal em fortalecer a formação dos profissionais da rede na pauta antirracista. Mais do que atender às legislações como as Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas, o município vem consolidando uma política educacional voltada ao pertencimento, à valorização das identidades e ao enfrentamento das desigualdades raciais.

Foto: Juliano Sarraf

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