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| Foto: Patrick Abreu |
Camaçari
voltou a ser palco de importantes debates sobre cidadania nesta
terça-feira (30), com a realização da etapa territorial da 5ª
Conferência Estadual dos Direitos Humanos. O município foi a cidade
escolhida na Região Metropolitana de Salvador (RMS) para sediar o
evento, coordenado pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da
Bahia (SJDH), por meio do Conselho Estadual de Proteção dos
Direitos Humanos (CEPDH).
A
etapa, organizada em Camaçari pela Secretaria de Desenvolvimento
Social e Cidadania (Sedes), aconteceu no Teatro Cidade do Saber (TCS)
e marcou o retorno da plenária ao município após nove anos.
Com
o tema "Por um Sistema Nacional de Direitos Humanos: consolidar
a democracia, resistir aos retrocessos e avançar na garantia de
direitos para todas as pessoas", o encontro reuniu
representantes do poder público, sociedade civil, movimentos sociais
e organizações da RMS, com o objetivo de construir coletivamente
propostas que serão levadas à etapa estadual, em Salvador, e,
posteriormente, à Conferência Nacional, em Brasília.
Presente
no evento, o prefeito Luiz Caetano destacou a importância da
participação popular nas decisões que impactam diretamente a vida
das pessoas. “Nossa cidade tem história na luta por justiça
social. Voltar a sediar esta conferência é um sinal de que estamos
no caminho certo, marcado por respeito, inclusão e construção de
políticas públicas com base na escuta e na participação da
sociedade”, pontuou.
A
secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania, Jeane Gleyde,
definiu o encontro como necessário. “Essa etapa representa um
reencontro com a escuta ativa e o diálogo democrático. Ao sediarmos
este evento, após nove anos, reafirmamos o compromisso de Camaçari
com os direitos humanos, em sua forma mais ampla e plural. A
cidadania só é plena quando todos e todas têm seus direitos
garantidos e respeitados”, afirmou.
O
secretário de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia, Felipe
Freitas, salientou os desafios e a relevância da etapa territorial
para a consolidação de um sistema nacional de proteção aos
direitos humanos.
“É
uma oportunidade de fazer esse balanço, tanto do que o Estado tem
feito na agenda dos direitos humanos, nas mais variadas temáticas,
como pessoas com deficiência, idosos, crianças e adolescentes,
entre outras, como também um balanço do que os municípios têm
conseguido fazer no campo dos direitos humanos. Em Camaçari, vemos
todas as áreas da política de direitos humanos funcionando junto à
prefeitura, provando que tem gente preocupada com todos os
segmentos”, ressaltou.
À
frente da presidência da União das Pessoas com Deficiência de
Camaçari (UDEC) e coordenador de Políticas Públicas para Pessoas
com Deficiência – setor vinculado à Sedes –, Fredsom Soares
falou sobre os investimentos em acessibilidade urbana e inclusão
social que tem percebido na cidade.
“Sem
acessibilidade não existe inclusão social nem direitos garantidos.
Em Camaçari, já percebemos um avanço. O novo sistema emergencial
de transporte público retornou com acessibilidade, o centro ganhou
um calçadão acessível e as calçadas também passaram por
melhorias. Dentro da Sedes, estamos estruturando o Núcleo da Pessoa
com Deficiência, com uma central de Libras para atender a comunidade
surda. O meu desejo é que outras cidades sigam esse exemplo”,
disse.
Adailson
de Jesus Souza, 30 anos, representante do eixo de raça, gênero,
juventude e geração no Colegiado de Desenvolvimento Territorial,
refletiu sobre a vulnerabilidade da juventude negra no país.
“Enquanto jovens negros continuarem morrendo, a democracia seguirá
incompleta. Chegar aos 30 anos, para muitos de nós, é um ato de
resistência. Falar em direitos humanos é, essencialmente, defender
a vida da juventude negra”, afirmou o jovem, que também é
conselheiro da região metropolitana.
Ao
todo, foram abordados seis eixos temáticos, entre eles:
Enfrentamento das violações e retrocessos; Democracia e
participação popular; Igualdade e justiça social; Justiça
climática, meio ambiente e direitos humanos; Proteção dos direitos
humanos no contexto internacional; Fortalecimento da
institucionalidade dos direitos humanos.
Durante
o evento, foram eleitos oito delegados que irão representar Camaçari
nas próximas etapas, além da consolidação de propostas voltadas à
promoção da equidade, combate à violência institucional e
valorização das diversidades. No período da manhã, a programação
também contou com a palestra magna da psicóloga Priscila Barbosa
Lima.
A
etapa territorial da 5ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos
em Camaçari simboliza não apenas um momento de debate, mas um passo
firme rumo à construção de políticas públicas mais inclusivas,
na articulação direta entre a Prefeitura de Camaçari e o Governo
do Estado, tendo a população como protagonista.
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| Foto: Patrick Abreu |
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| Foto: Patrick Abreu |
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| Foto: Patrick Abreu |